Destino Canela
Dias de expedição
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Destino Canela
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29/11/2011 - 18:01

O mundinho e a grande família


Hoje fazem pouco mais de 2 anos que sai do Brasil, e por conscidência, e a época que eu estou retornando para casa. Depois de passar esses dois anos, de um forma tão intensa, que decidir embora foi uma escolha sinistra. Os dois lados de uma balança pesavam quase que igualmente, mas com vários momentos que hora pendia forte para um lado, hora pendia forte para o outro.

Sempre fui da teoria que se a escolha esta muito difícil, é melhor ter calma e esperar por alguns sinais, alguma conscidência, alguma coisa que de evidencie o que deve realmente deve ser feito. E no final, muitas coisas penderam para o lado de ir embora, por mais que a vontade de ficar e realizar os sonhos que sonhamos durante esse tempo juntos, fosse gigantesca. Mas a cabeça da erguida, e como a gente fala no mundo do surf, a cabeça ta feita demais. Quando saí do Brasil em novembro de 2009, não tinha nem idéia do que ia acontecer, e as dúvidas que me surgiram, a vida, novamente me mostrou as respostas.

Viver no barco foi a grande experiência de toda minha vida. A gente, ali dentro, naquele espaço pequeno, se dava tão bem que não dava nem pra entender como, pois as chances de dar alguma briguinha, alguma coisa, eram grandes, mas a galera aprendeu a viver em grupo, dentro daquele mundinho, que não há um dia a se reclamar. A parceria é sensacional. Cada um aprendeu como lidar um com os outros. Cada um tem seu jeito, e a gente entrou numa sintonia que o máximo que alguém podia fazer para o outro era ajudar, porque atrapalhar estava fora de questão. A vida lá funcionava melhor que muitas famílias, muitas mesmo. Respeito e companheirismo são a chave para esse tipo de vida funcionar.

Hoje já olho pro site com uma saudade forte, mas muito feliz por ter feito parte desse projeto incrível que os guris sonharam, e botaram em prática. Ninguém mais que o Guto, o Alemão e o Cláudio para provar que tudo pode acontecer, até dar a volta ao mundo de um barco de 43 pés.

Não tem muito obrigado que seja suficiente para agradecer esse tempo todo que permaneci nesse nosso mundinho. A parceria era tanto, que volta e meia, quando fazíamos alguma festa, depois de um longo tempo viajando entre ilhas, que só havia nós mesmos para conversar, quando víamos, estavamos todos conversando, fechados em uma roda. Quando alguém se dava conta disso, a gargalhada pegava, mas pô, era inevitável. E com essa energia que eu senti vivendo lá dentro, é a energia que eles vão completar essa viagem. Mais um ano e o Canelão estará completando o objetivo com maestria.

Agradeço muito por tudo que aprendi esse tempo todo, os poucos e simples objetivos que tinha quando sai do Brasil, se tornaram grandes e consistentes o bastante para eu sentir o quanto isso tudo me fez bem, me fez crescer, me fez ver o mundo de um outro ângulo e com outros olhos. Ver a vida de maneira diferente.

E era isso. O Guto pediu para eu continuar atualizando o blog mesmo morando em Canela, contando as histórias de lá e a espectativa da chegada deles. Ainda não sei qual vai ser, qual vai ser o sentimento de escrever alguma coisa longe daquela vida, mas vamos ver...

De qualquer jeito, a música sempre vai tocar, e a gente sempre vai sentir a mesma coisa:

"...always together, living together, living on my own..."

Toca ficha gurizada, vou estar esperando vocês pelas nossas bandas...

Publicado por Joãozinho

28/10/2011 - 9:03

Gigante véio estancieiro!!!

alemão, gigante e eu
alemão, gigante e eu

Vocês não imaginam a felicidade que eu estou sentindo com a chegada do Gigante no barco. Agora, estamos em 7 barbado, crowndio geral, mas não da nada, todo mundo é sangue bom, e com respeito e parceria tudo se ajeita.

O Gigante sempre foi meu brother, crescemos surfando juntos no Arroio Teixeira, e sempre sonhamos em estar onde estamos. Pois agora estamos aqui, relembrando desse passado irado que tivemos e vivendo esse presente animal que esta rolando. Ele ainda não deu a sorte de pegar boas ondas, mas com certeza pegará e fará a cabeça pois estamos nas Mentawais!

A "casa" esta cheia, mas cada vez mais cheia de enregia boa. Dalhe!!!! 

Publicado por Joãozinho

28/10/2011 - 8:08

Bem vindo as Mentawai!

vai entender como quebrou desse jeito
vai entender como quebrou desse jeito

Depois de quase dois meses de Indonésia, surfando altas ondas, e conhecendo lugares alucinantes, as ilhas Mentawais ainda não saíam da cabeça. Famosa no mundo surf por sua perfeição e variedade de ondas, onde qualquer vento que entrar, algum pico vai rolar, qualquer maré que baixar ou aumentar, algum pico vai funcionar, a espectativa para chegada era grande.

Até agora fizemos a parte sul da ilha sul das Mentawais. Tivemos que acelerar a parte norte para chegar a tempo de recepcionar nossos amigos de Canela que estão na ilha central das Mentawais. Porém, assim que eles forem embora, vamos voltar um pouco para sul para surfar os picos do que faltaram. 

Surfamos até agora 2 picos. Solawi e Thunders. Duas equerdas. Solawi foi o primeiro surf, e chegamos lá depois de passar por The Hole e Light House, que não estavam funcionando. Solawi rolou altas ondas, aconragem tranquila, mas na minha primeira seção do surf, caí numa onda e fui parar na rasa bancada de corais. Veio uma série e me lavou. Cortei apenas o joelho e a canela e fui checar a prancha pra ver se havia acontecido alguma coisa. Vi que as quilhas estavam inteiras, mas a rabeta da prancha estava destruída. Um quebrado que nunca vi antes, e a foto acima mostra o estrago. Era a melhor prancha que eu tive, estava no pé, e só em pensar a batalha que foi pra comprá-la na Austrália da uma tristeza. Mas essa tristeza logo passa assim que lembro onde estou e com quem estou. Nada material pode me deixar triste num lugar desse. Ainda bem que com o novo apoiador do Canela, a marca de prancha Tricoast, vamos ganhar uma prancha nova cada um, que esta chegando com os guris de Canela.

Depois disso, rolou um surf mais clássico ainda na pesada onda de Thunders. Longa, ela quebra em águas profundas, mas não é o que o Alemão conferiu. Na sua primeira onda, foi parar nos corais também, e cortou bonito as costas, um lanhadão desde baixo do braço esquerdo até a metade das costas. Coisa feia. Além disso, trincou a prancha. No mesmo dia o rasta toma uma vaca numa onda, quebra o bico e uma quilha. O Edinho e o Brunão cortaram os pés nos corais. No dia seguinte, o Rasta caiu em uma onda em cima das quilhas, e abriu um talhinho nas costas e eu cortei o pé.

Todas essas coisas que aconteceram, não tiraram a alegria e a vontade da galera de ir surfar e desbravar essas ilhas aqui que tem onda para todo o lado. Aqui, realmente, apesar de tudo, é o paraíso do surf. Isso que surfamos apenas duas ondas, mas já da para ver a diferença, a qualidade e a vibe, que tudo mostra o quanto esse lugar é especial.

Tudo a caminho!

Publicado por Joãozinho

8/10/2011 - 20:44

Parceria mútua


Não sei se sei explicar, mas vou tentar…

Quando sai do Brasil, em novembro de 2009, eu tinha duas casas em Canela, a do meu pai e a da minha mãe. Hoje nenhuma dessas casas existem mais, pelo menos não para nós. A da minha mãe foi atingida pelo único furacão/tornado ou sei la o que, que passou pela cidade. Árvores cairam sobre a casa, e simplesmente a destruiram. A do meu pai foi vendida. Hoje sei mais ou menos onde moro, mas não sinto aquela saudade de casa, porque na verdade nao sei como é a minha casa. Sinto mais uma curiosidade do que saudade. Mas na real, pode não ser esse o motivo, e eu percebi isso nessas duas semanas que passei sozinho no aqui no barco. A verdade verdadeira é que aqui é a minha casa. Aqui e onde eu sei o que acontece, eu sei os detalhes, é a minha cama aqui que eu sinto vontade de deitar quando estou cansado. É aqui que penso em fazer um rango quando estou com fome. É no sofa xurumado, sentado e deitado por todo mundo que eu quero me atirar.

Ficar no Canela esses dias, e ter passado por alguns dias sinistros na marina mais cabulosa que ja fiquei, me fizeram ver o quanto tenho um carinho por esse barco, o quanto eu quero ele bem, o quanto eu sinto isso como minha casa. E não poderia ser diferente, quase 2 anos aqui dentro. Estava fazendo uma reflexão sobre minha vida nos últimos anos, e vi que passei muito mais tempo longe da minha cidade (Canela) do que la. Em 2006 entrei na faculdade e fui morar em Torres. Saí de la na metade de 2009, formado e pronto (ou não) para voltar pra “casa” e começar uma vida. Mas que vida? Eu ainda não tinha vivido quase nada do que a vida tem pra mostrar. Final de 2009 embarquei para Nova Zelândia, entrei no barco, e aqui, quase novembro de 2011, ainda estou. Nesses últimos 5, 6 anos, com quem eu menos passei tempo foi com a minha familia. Sinto muita falta do meu pai, minha mãe e minha Irma, além da minha unica vó que remaneceu dentre meus avôs e avós. Tias e primos, assim como amigos também fazem muita falta. Mas eu estou aqui, eu tenho uma casa. Uma casa que anda, ou na verdade, navega. Vai de país em país sem eu precisar fazer uma mala. E eu amo essa casa, como se fosse a minha casa. Quando eu estava sozinho aqui e as cordas que prendiam o barco no pier arrebentaram no meio da madrugada, produzindo sons sinistros, a única coisa que eu conseguia pensar, era que nada de ruim poderia acontecer com o barco, nada de ruim poderia acontecer com a minha casa. De todas as velejadas, inclusive a minha primeira, que foi umas das mais sinistras pros guris tambem, da NZ ate Fiji, eu não senti tanto medo quanto senti nessa marina, com as cordas emitindo sons que pareciam estrangular o barco. Cada uma puxava ele para um lado, e eu parecia sentir esses puxoes, parecia sentir a dor que o barco sentia. Isso devinitivamente me mostrou o quanto gusto deste lugar, o quanto me preocupo com ele. A marina, as ondas, o vento, não nos venceram, porque eu e o Canelão, trabalhamos e sofremos juntos, e combinamos que nao iriamos nos entregar pra mais esse obstáculo. Ficamos juntos, abraçados numa troca silenciosa de sentimentos, e vencemos. Quando eu pensava que eu só queria dormir, algo (talvez o barco) me dizia pra ficar acordado, caso alguma corda arrebentasse eu deveria trocar. E na última noite punk foi o que aconteceu. Eu só me virava na cama pensando, eu só quero dormir, só quero pegar no sono, só quero que essa noite termine. Mas algo me deixava muito longe disso. E em uma das séries que entrou varrendo a marina, duas cordas arrebentaram. Levantei e eu fui troca-las. Mas não era simplesmente trocar um por outra, pois todas as cordas tem que estar sincornizadas com o balanco do mar, caso contrário sobrecarrega uma, facilitando assim que ela arrebente. Enfim depois que eu troquei essas duas, se passou quase uma hora, e nenhuma outra série entrou, e eu acabei caindo no sono. Quando acordei na manha seguinte tudo estava tranquilo, as corads todas inteirtas. Acho que o barco me mantece acordado até a última grande série que entraria, para trocar as cordas, e nós dois pudessemos dormir em paz.

Uma vez li um livro do João Sombra, um velejador muito mais velho que a gente, mais com uma experência muito grande. E nesse livro, ele conversa com o barco o tempo inteiro. Minha primeira impressão do livro foi meio de, bah, esse cara ta meio louco. Mas bom, depois desses quase dois anos aqui, senti acho o que ele sente, quando conversava com o Guardian, seu barco. Conversar com o Canela, apsesar de ser uma conversa sem palvaras, apenas nos pensamentos,  foi perceber que ele era a minha melhor companhia nesse tempo solitário. E como um grande irmão, ficamos juntos nas horas boas e nas ruins, e estamos prontos pra receber a galera toda de volta para a gente tocar a viagem em frente.

Sei que o barco nao é meu, mas sinto o carinho por ele como se fosse, e vou sempre manter esse cuidado, essa parceria com ele. Ele me levou parar os lugares mais irados que eu poderia conhecer. Mais que amigos, somos parceiros de viagem. Aguentamos tudo juntos, com a galera toda. O Canela sabe muito!

Amanha a turma ta de volta!!! 

Publicado por Joãozinho

29/9/2011 - 20:02

Na era do facebook...

Crianças brincando na ilha de Sumbawa
Crianças brincando na ilha de Sumbawa

A evolução tecnológica que o mundo esta vivendo, afeta diretamente as crianças que estão em desenvolvimento, fazendo elas se adaptarem a isso tão rápido, como foram esquecidos as brincadeiras com bolas, carrinhos, esconde esconde, construír o próprio brinquedo, etc.

Na era do facebook, skype, msn, e todas essas ferramentas modernas, fiquei surpreso aqui na Indonesia, a me deparar com ilhas que o povo não havia se quer energia elétrica. O povo ainda esta intocado pela globalização, intocado tanto com as coisas boas (como a energia) quanto as coisas ruins que acontecem nesse mundo. Nem por isso o povo deixava de ser feliz, nem por isso eles se sentem inferiores, pois para eles, não há um “mundo” lá fora. A nossa presença em determinados lugares causava um auvoroço tremendo que a gente se sentia uns Et`s chegando na terra.

Na ilha de Sumbawa, bastante famosa pelos de picos de surf de Lakey Peak e Scar Reef, nós estávamos ancorados ao lado da onda de Nungas, e pra chegar até o “centrinho”, tinha que se passer por um vilarejo, bem podre, onde as pessoas viviam em barracos e as crianças brincavam peladas. Numas dessas nossas caminhadas de onde deixavamos o bote até o centrinho, vi essas duas crianças brincando felizes da vida. Quando vi seus brinquedos me lembrei um pouco da minha infância, e o “salto” tecnológico que a vida deu nesses últimos tempos. Há 10, 12 anos atras, não havia essa febre de internet, Ipad, Ipod, Ifone, e essas coisas, a gente montava os nossos brinquedos, brincávamos em grandes turmas, ficávamos na rua de pé no chão até de noite. Um dos carrinhos dos gurizinhos era feito de lata de óleo para motor, e as rodas eram tampas de potes de plásticos. Ficavam andando de um lado pro outro, puchando os carrinhos com um pedaço de corda. Essas pessoas ainda estão muito longe de chegar no mundo em que nós estamos, o que é muito bom, pois percebe-se que ainda há povos intocadas em lugares desse mundo que o captalismo e a globalização ainda não alcançaram. Mas, certamente, um dia alcançarão

Isso não é uma crítica a evolução, pois eu estou totalmente inserido nesse novo meio e acho fantástico até onde ele pode nos levar. Mas fiquei muito feliz em ver essas coisas, essa simplicidade e pureza, que ainda bem, ainda existem escondidas por aí. 

Publicado por Joãozinho


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