Destino Canela
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9/8/2012 - 6:19

Surfe na Reunião

Surfando no quintal da marina
Surfando no quintal da marina

Um dos maiores medos de qualquer surfista, que passa muito tempo no mar, com certeza é o possível encontro com um tubarão. Pois desse encontro o surfista certamente não terá lembranças boas, pode-se até dizer que será um felizardo se sobreviver.

Via de regra o mar é um parque de diversões seguro, mas existem certos locais que oferecem um grau de risco maior, e infelizmente Ilha Reunião é um desses locais. Vir para cá pode-se dizer que é a realização de um sonho para um surfista, afinal a ilha tem formação e posição geográfica privilegiadas para a prática do surfe. Entretanto, o sonho pode tornar-se facilmente um pesadelo, devido à enorme população de tubarões e dos crescentes ataques a surfistas.

Quando estávamos nas Maldivas conhecemos um grupo de surfistas suecos. Durante uma conversa, quando um deles ficou sabendo que iríamos passar pela Ilha Reunião, ele nos alertou para os ataques de tubarões. Foi a partir daí que o assunto realmente ganhou uma maior atenção da galera. Já sabíamos da fama do local, pois no guia de surfe que temos no barco, um dos pontos negativos da ilha é exatamente o perigo dos tubarões. Mas já havíamos passado pela Austrália, que também tem os seus perigos quanto aos tubarões, e a galera havia tirado de letra o problema.

Depois das Maldivas rumamos para as Ilhas Maurício, outro paraíso do surfe. O problema aqui não foram os tubarões e sim alguns locais que se acham os donos do pedaço e não querem ver ninguém de fora desfrutando das boas ondas. Bom, nem vale a pena falar desses idiotas. O lance é que com a proximidade entre as Ilhas Maurício e Reunião, apenas 130 milhas, começamos a receber muito mais informações sobre o nosso próximo destino, e novamente as histórias de tubarão voltaram a nos atormentar. Fizemos uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto na internet e vimos que realmente o índice de ataques a surfistas é bem alto, 6 ataques sendo 4 fatais no ano de 2011. Se compararmos a quantidade de ataques de tubarão com a quantidade de surfistas e o tamanho das ilhas Reunião e Austrália, a coisa fica alarmante, afinal Reunião tem uma área bem menor e bem menos gente surfando do que a Austrália, mas tem um índice de ataques bem próximo.

Mesmo com todo esse temor estávamos relativamente tranquilos, afinal estatisticamente falando as chances de sofrer um ataque de tubarão não são lá tão grandes. Mas toda a tranquilidade foi por água abaixo. Na véspera da nossa partida de Maurício, recebemos a notícia de que mais um surfista havia morrido vítima de ataque de tubarão em Reunião.

Na chegada em Reunião os agentes da imigração ao verem nossas pranchas no barco prontamente nos alertaram para o perigo dos tubarões. Nos dois primeiros dias o vento estava maral e muito forte, o que praticamente impossibilitava o surfe, não tinha ninguém na água. No terceiro dia o vento deu uma amenizada e como tem uma onda bem em frente à marina onde estamos, fiquei ali de olho. No começo da tarde vi o primeiro surfista na água, logo criei coragem e me juntei a ele. Uma das medidas de segurança adotadas por nós é não surfar sozinho. Ao me ver na água o surfista ficou bem alegre e aliviado, imagino.

Desse dia em diante passei a surfar quase todos os dias nessa onda em frente à marina. Mas quando o assunto é surfe em Reunião, o tópico é St. Leu, de longe a melhor onda da ilha. No dia em que os companheiros foram fazer o trekking resolvi ir até St. Leu de ônibus, sem a prancha, apenas para ver como era. Apesar das ondas estarem pequenas, pude ver todo o potencial do pico. Isso era uma quarta-feira, e a partir desse dia fiquei atento às previsões das ondas na internet para poder voltar no melhor dia possível, pois para chegar lá de ônibus com prancha é uma missão.

Segundo a previsão domingo seria o dia D. A previsão não era perfeita, mas parecia boa o suficiente para se aventurar. Acordei cedo e fui checar o mar em frente à marina, não parecia grande coisa. Fiquei indeciso, pois o Bruno que estava disposto a me acompanhar ainda não estava recuperado fisicamente do trekking e um amigo havia falado que em St. Leu existe um certo localismo, e por ser domingo pensei que teria ainda mais gente surfando. Acabei desanimando e não fui. Passei o dia todo na incerteza se havia tomado a decisão certa ou não.

Na segunda-feira de manhã, Jim, um dos nossos vizinhos de barco aqui da marina, nos deu a notícia bombástica de que um surfista havia sido atacado por um tubarão em St. Leu no dia anterior! Apesar de não ter sido um ataque fatal, o surfista ficou com extensivas lesões, perdeu parte de uma perna e uma mão. O sentimento foi de apreensão total, afinal por pouco não fui para lá surfar e poderia ter acontecido comigo.

Entretanto nesse mesmo dia eu já estava de volta no mar surfando. Alguns outros surfistas me convidaram para entrar na água, e como não estaria sozinho e as ondas estavam boas resolvi aceitar o convite e fui o primeiro a remar. Confesso que os poucos minutos que fiquei ali sozinho foram um pouco aterrorizantes, mas depois com todos na água relaxei e aproveitei a sessão.

Dizem que essa onda em frente à marina é segura, nunca houve nenhum ataque de tubarão aqui. Mas isso não serve mais de desculpa, afinal os 2 últimos ataques foram os primeiros ocorridos nos locais onde aconteceram, Trois-Bassins e St. Leu respectivamente. A maioria dos ataques tem algumas características semelhantes, ocorreram no fim de tarde ou após forte chuva que deixa a água do mar turva. Como medida de segurança além de não surfar sozinho, também não surfo logo cedo ou no fim de tarde.

Para evitar mais fatalidades o governo local proibiu o surf em alguns locais da ilha que são considerados mais perigosos, mas a onda em frente à marina está liberada. Surfei mais um dia, mas agora o vento está maral e estamos nos preparando para ir para Madagascar, o que parece uma ótima idéia. Mas se rolar mais um dia de onda boa e tiver gente na água estarei por lá, afinal não posso deixar de fazer o que mais gosto nessa vida por medo de morrer.

Prefiro morrer vivendo o meu sonho a ver a vida tornar-se um pesadelo!!!

Publicado por Rasta

24/5/2012 - 21:55

Momentos de despedida


A vida é cheia de encontros e despedidas, e para nós que estamos nessa jornada vivemos isso com mais intensidade ainda. Geralmente dá um aperto no peito deixar para trás o lugar que estamos acostumados a viver e principalmente os amigos que ali temos, mas ao mesmo tempo a expectativa de chegar em um novo lugar e fazer novas amizades é um dos melhores sentimentos que essa viagem proporciona.

Com as Maldivas a história não é diferente. É bem verdade que não fizemos tantos amigos por aqui, talvez pelo fato de a religião ser muito restrita não sabíamos como nos comportar em certos momentos, o que nos deixou um pouco inibidos. Mas no geral a galera é bem gente boa, sempre dispostos a nos ajudar e dar informações sem pedir nada em troca.

Antes de vir para cá, a imagem que eu tinha daqui era de um lugar paradisíaco com águas cristalinas e praias virgens. E foi exatamente isso que encontramos. Certamente um dos lugares mais lindos que já estive na vida, águas cristalinas e vida marinha abundante fazem com que o mar transforme-se em um verdadeiro aquário natural, e, é claro muita onda boa fizeram parte do nosso cotidiano desde que chegamos aqui.

Creio que a vida não deve ficar muito mais simples do que o que vivemos aqui. Foi um período de paz de espírito e tranquilidade, onde talvez a maior aventura do dia era decidir qual onda iria dropar.

Acho que foi o Gustavo, Alemão, que uma vez disse que não adianta estarmos no lugar mais bonito do mundo se estamos sozinhos, quando lembramos de um lugar lembramos das pessoas que ali conhecemos. Concordo plenamente com o que ele disse, o paraíso não será o mesmo se estivermos ali sozinhos.

Quando me lembro dos lugares que passamos até agora, automaticamente me lembro dos amigos que ali fizemos, e essas são as minhas melhores lembranças daquele lugar. Mas com as Maldivas a história mudou, talvez por já estar viajando com os melhores amigos. Quando pensar em Maldivas lembrarei da vida simples, muita paz de espírito e é claro de muito surf.

Maurícius se prepare pois estamos a caminho, 1500 milhas é tudo que nos separa!!! 

Publicado por Rasta

18/5/2012 - 1:52

Assoprando as velas


Terça-feira 15 de maio de 2012, ouvi e pela internet li que hoje é um dia muito especial para mim, pois é o meu aniversário.

Para ser sincero não sou o tipo de pessoa dá essa importância toda para o meu aniversário, não sei o porquê, talvez por acreditar que todo dia que continuamos vivos e felizes já seja motivo de comemoração. Não me incomodo que as pessoas não lembrem da data, tanto é que não a disponibilizo nas redes sociais da internet, mas sempre é bom receber um abraço e mensagens de carinho.

Esse aniversário foi muito especial para mim, pois foi o primeiro que comemorei com a família itinerante do Canela. Foi muito agradável ver cada um dos companheiros se dedicando e tentando me agradar ao máximo, fazendo de tudo para que eu tivesse um dia memorável, e o esforço valeu à pena, esse dia ficará para sempre na minha memória. Não só pelas boas ondas que surfamos, mas especialmente por ver o quanto sou bem quisto por todos à bordo.

Tem aquele velho jargão popular que diz: "Se eu morresse hoje morreria feliz", bem eu não morreria feliz, afinal acredito que ainda tenho muito a viver, mas morreria orgulhoso de cada irmão à bordo. Não só pelo dia de hoje, mas por toda jornada até aqui e por toda que ainda há por vir.

Sonho que se sonha junto é realidade!!!

Publicado por Rasta

8/5/2012 - 20:51

Salonpas


Continuamos aqui no atol de Laamu, quase ao sul das Maldivas, ancorados de frente para a onda de Ying Yang. Para quem não sabe Ying Yang é uma crença popular chinesa que diz que haviam dois lados do ser humano, um lado bom Ying e outro lado malvado Yang.

Desde o primeiro dia que chegamos aqui temos nos deparado frequentemente com o tal do Yang, logo de cara o malvadão quebrou a prancha do Kowalsky em dois pedaços. Mas para dizer a verdade temos momentos muitos felizes com o Ying também, já pegamos boas ondas que tem deixado um sorriso enorme na cara da galera no final do dia. O Ying agraciou a galera com boas ondas, inclusive alguns bons tubos. O Gutão já está pronto para a aposentadoria, ele vivia dizendo que só precisava pegar um tubo e ai iria se aposentar do surf, pois é, pegou um tubo hoje mas acho que gostou tanto da coisa que não vai parar é nunca.

Mas como nem tudo são flores o Yang também andou aprontando das suas. Boa parte da galera aqui tá parecendo múmia, cobertos com salonpas, aquelas fitas adesivas com o mesmo efeito do gelol, pois na tentativa de pegar os tubos acabamos não dando o devido respeito ao Yang e ele como bom malvado que é nos esfregou no reef sem dó nem piedade. Por sorte o reef não é afiado senão a galera estaria bem pior. Ninguém se cortou, só mesmo as pancadas doloridas pelo corpo, alguns estão com salonpas nos braços, outros na mão até na bunda tem gente precisando.

Estamos aprendendo a lidar com o temperamental Yang, pela manhã o mal humor impera e a onda está ruim, já de barriga cheia, depois do almoço, o Ying toma conta e a felicidade domina, as ondas ficam muito melhores e a galera faz a cabeça, mas olho vivo com o Yang pois ele não perdoa e o estoque de salonpas está acabando.

Publicado por Rasta

8/5/2012 - 2:53

Bruna Surfistinha


Interessante como as vezes temos inspiração para fazer as coisas. Já faz algum tempo que penso em escrever blogs com mais frequência, mas tudo ficava apenas no pensamento, desde que comecei essa jornada e tive meu blog criado havia escrito apenas uma vez, um verdadeiro desleixado, houve em até certos momentos uma pressão para que eu escrevesse algo, e tudo virou piada como de costume aqui no Canela.

Durante os primeiros meses de viagem, para ser mais exato os dois meses que velejamos a costa da Austrália, eu mantive um diário de viagem onde escrevia diariamente o nosso cotidiano. Mas assim que chegamos na Indonésia parei de escrever o tal diário, provavelmente estava muito ocupado surfando, sei que não serve de desculpa mas assim fui me enganando. Por meses e meses não escrevi o diário nem que nada no website, muito de vez em quando escrevia algo no blog principal do website.

Alguns dias atrás estava assistindo um filme, Bruna Surfistinha, e não é que consegui tirar uma inspiração dali. Muita calma, não decidi me prostituir ou cheirar um monte de cocaína, como a protagonista do filme, hehehehe. Mas vendo como o blog que ela criou para "comercializar" o seu produto era visto por milhares de pessoas, e como as pessoas gostavam de ver as histórias mesmo que não se interessavam pelo produto oferecido, me fez pensar que deveria escrever mais frequente.

Não tenho o intuito de ter o alcance que ela teve, até que seria legal, mas a idéia acho que é mais de mater a famíla e toda a galera que acompanha o site por dentro do que está acontecendo comigo e consequentemente com toda a tripulação, e também de poder viver um pouco das nossas aventuras e desaventuras.

Juro que vou tentar manter a consistência na escrita, vamos ver no que vai dar.

Publicado por Rasta


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