A idéia era pintar o barco com spray e com um profissional, porém o tempo e a chuva nos fizeram mudar de planos e pintar com rolo, isso com o pintor nos guiando. Dá pra dizer que ficou bom, tirando uns escorridos por culpa do ``cara do pincel`` (eu) , no mais o barco ficou bonito, coisa boa ver o Canela assim.
Bom, barco pintado, barco na água, arruma daqui, arruma dali, era a hora de partir. A previsão de tempo era boa, alguns barcos estavam saindo e só em uma semana mais perto de Fiji o tempo poderia piorar, como quanto mais a gente esperasse pior o tempo ficaria, saímos com a tropa.
Junto com o Canela saiu o Zazoo, do João Pescador, para a sua primeira travessia, ele empolgadíssimo. A idéia era sair demanha, porém até dar saída nos papéis, botar diesel e comprar mais uma coisinhas acabamos saindo ao entardecer. Também nada mais normal, não sei como ainda não nos acostumamos com isso.
Os primeiros 2 dias foram de vento forte de popa, com o barco voando. Fizemos no primeiro dia 170 milhas, agora não me lembro se é o recorde do Canela mas sei que está muito bom.
Pelo segundo dia tivemos a primeira baixa, o leme de vento (sistema que pilota o barco só com a ajuda do vento) quebrou. Como estavamos com mar de popa e descendo ondas, as vezes o barcos dava umas embaladas que chegava a 10 nós de velocidade, juntando isso com o barco estar muito pesado na popa, que estava com vários galões de diesel, o suporte do leme de vento quebrou, quebrou o alumínio e ficou pendurado por um parafuso. Para nossa sorte, pois o leme de vento é fundamental para a gente, conseguimos botar ele para cima e agora temos achar alguém que lide com metal para arrumar, ainda bem que não é nada de muito complicado.
Durante toda a travessia tivemos a ajuda do Hugo, do veleiro Beduína, que agora mora na Nova Zelandia. Como podemos receber mensagens SMS no iridium de graça e o Hugo manja um monte de meteorologia, todo dia ele nos mandava a previsão de vento e mar para as próximas 12 horas.
Com isso veio a notícia: `` Há uma depressão acima de vocês e a coisa é feia.`` Depois disso falando com outros barco no radio SSB descobrimos que vários barcos que estavam subindo decidiram voltar, mesmo estando a dois dias de distância de Opua. Nessa hora a ajuda do Hugo foi fundamental, pedimos para ele: `` Hugo, o que fazemos????? Voltamos?? Ai ai ai...`` Como estávamos mesmo longe da NZ e a tal da depressão iria nos alcançar de qualquer jeito, o concenso foi que deveríamos continuar porém seguindo mais para leste, onde o terror seria menor.
Sabendo disso, e seguindo as dicas do Hugo fomos indo, agora sempre com o motor ligado para andarmos mais e fugirmos mais da tempestade. O problema foi que quando começamos o ``modo tormenta``, com pouca vela, motor ligado e tudo preso destro do barco, a tormenta só chegou 2 dias depois. Passamos dois dias de angústia e ansiedade, só esperando a porrada bater.
Torturante essa espera, e aí quando veio, apesar de ter sido o pior mar que pegamos até agora, não foi tanto quanto imaginávamos. Depois de muita batessão, algumas vomitadinhas do Joãzinho e muito diesel, a tal da tempestade passou.
Viva a calmaria, se não tivéssemos preocupados com o diesel, que háviamos gastado demais, aquela seria a melhor calmaria do mundo. Passamos um dia esperando o vento, e sem fazer muita força para andar, a hora era de descansar mesmo.
Motoramos uns dois dias e aí finalmente chegamos nos alísios, depois disso o vento durou até a chegada em Fiji.
Meu pai não gosta de coisas de última hora, com essa então ele vai até rir. Dois amigos do Brasil estávam vindo nos visitar, o Fafa e o Felipe. Não é que chegando em Fiji, de noite, quase no passe, vimos o avião deles chegar. Numa travessia de 9 dias chegamos junto com eles, que vieram do Brasil.
Fiji aqui é uma maravilha para ``velejar`` (motorar também pois tem muito coral). Aqui no grupo em que estamos, por fora das ilhas, há uma barreira de coral, então aqui dentro a água está sempre calminha, se vai de ilha em ilha em algumas horas com um mar paradinho.
Aqui o problema são os corais, que em alguns lugares estão crescendo e em alguns lugares não foram cartografados, e em alguns lugares ainda os corais não estão no lugar marcado na carta. Nossos amigos franceses do QOVOP quando chegaram deram um ``encostãozinho`` em um recife, mas nada grave. Segundo eles foi um bom teste para o remendo feito por eles em Tonga, novembro passado, ``se não caiu esta vez acho que não cai mais...``
Vamos ver, aí tem o surf, que rola nos passes, nas entradas para esse grande ``lagoon`` em que estamos. Para mim está um pouco demais no momento, mas devagar vamos indo.
Bom, acho que era isso, para começar. Vamos ver se mantenho o blog em dia. E como dizem aqui: BULA BULA (é tipo um oi, pois é bula bula ``pra`` cá, bula bula ``pra lá.)