Destino Canela
Dias de expedição
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Destino Canela
Blog

4/9/2010 - 14:05

Os dias passam e já estamos em setembro

Se julho passou devagar, agosto passou rápido e pelo jeito setembro vai ser o mesmo. Incrível, já estamos quase no fim do ano.

Fiji continua lindo, agora estamos meio parados em Port Denarau, mas é sempre calor, muitos amigos ao redor e muitos planos pela frente, cada dia é uma expectativa nova.

Mas enfim, por aqui tudo bem sempre e em breve teremos novidades sobre nossos próximos passos.

Publicado por Cláudio Cavalli

10/8/2010 - 6:01

mais de Fiji

Poder conhecer um lugar como Fiji com tempo realmente é um privilégio. Desta forma a gente acaba se integrando mais ao povo e seus costumes.

Durante os últimos dias visitamos um grupo de ilhas mais ao norte chamado yasawa. Por lá além do lugar onde foi filmado a lagoa azul, também acabamos tendo contato com vilarejos e o povo que vive por lá, até uma missa na Igreja Metodista assistimos e ficamos impressionados com o padre com uma lista de fiéis, chamando um por um para fazer a doação, o mais interessante foi a forma como cantam, muito bonito e com muita fé.

O Kava em particular é o que mais nos tem feito nos integrar com o povo local.

É como se fosse o nosso chimarrão. O Kava é uma planta que é moída. Não é alcóolico, mas dependendo da quantidade pode dar um efeito que amortece os lábios e se beber mais dá sonolência, deve ser por isso que o pessoal aqui é bem devagar.

O pó é colocado dentro de um tecido para filtrar e jogado água em cima, dando origem a um caldo na qual a aparência não é das melhores, bem, o gosto na verdade também não é bom, mas tudo vale e a cerimônia é muito massa.

O ruim é que todo mundo bebe no mesmo copo, melhor, na mesma casca de côco e acabei pegando uma gripe, pois mesmo fazendo em torno de 25 graus todos os dias por aqui, a estação é inverno e tem uma galera gripada.

 

Publicado por Cláudio Cavalli

26/7/2010 - 4:55

O povo mais simpático do mundo

Sempre é aquela velha estória, conhecer os lugares mais lindos do mundo mas no fim o cara acaba é se encantando com o povo. Aqui em Fiji isto ficou mais notável. Já tinha lido em outros livros que o pessoal daqui era muito receptivo, principalmente com brasileiros. Mas estar aqui é comprovar e ainda assim se espantar. O Fijianos são pessoas sorridentes, de jeito simples e até bem devagar, tudo aqui funciona num ritmo bem "baiano" e nada vai mudar eles, por isso nem tente acelerar o processo.

Aqui todos te comprimentam, bula pra cá, bula pra lá, e não fica nisso,  não tente sair de fininho, eles vão lhe perguntar como tu está e se você estiver a fim eles vão parar tudo que estão fazendo pra bater papo com você.

Os mais empolgados querem saber tudo sobre o Brasil e sobre a sua vida. Conhecem muito do Brasil, aquela coisa, futebol, samba e assim vai e conversa é o que não falta. Outra coisa que impressiona é como eles cuidam para guardar seu nome, então não se admire se você reencontrar um fijiano que mal você bateu papo uma semana atrás e ele te ver novamente te chamando pelo  nome, um exemplo mesmo.

Como aqui metade do povo é indiano, a diferença fica ainda maior. Os indianos vieram para cá para trabalhar e não são tão receptivos, alguns sim claro, mas nada bate o Fijiano.

Assim, com um povo espetacular, cheio de cultura e num lugar paradisíaco tendo amigos visitando é fácil se acostumar e vontade de ir embora nem pensar.

Vinaka (obrigado) Fiji

Publicado por Cláudio Cavalli

3/7/2010 - 18:51

Primeiros dias e impressões de Fiji!

Calor, muito calor. Isto sem dúvida foi o que mais impressionou por aqui. Dias ensolarados, a maioria sem vento fazem a gente ferver e é até difícil de dormir, várias vezes rolou "reuniões" na madrugada lá no cockpit.

Segundo é a beleza do lugar, ilha ao lado de ilha e tudo cercado por lindos corais banhados por águas cristalinas. Ou seja, um dos melhores lugares para se estar é na água, seja surfando, fazendo snorkel ou simplesmente se refrescando.

As pessoas são um caso a parte, os fijianos são simpáticos, gente fácil, sorriso aberto, um ritmo devagar chamado de "Fiji Time", ou seja, se você pede pressa ou passa do ponto, eles já te largam, vai devagar, aqui funciona do ritmo Fiji Time. Mas a palavra mais ouvida por aqui é "Bula". O bula é olá, bom dia, boa tarde, boa noite, ou o que mais imaginar quando encontra uma pessoa, é bula pra cá e bula pra lá e todos dizem, não é como em outros lugares que você passa por alguém olha na cara e não se cumprimenta, aqui todo mundo diz bula. Obrigado significa vinaka e ajuda muito!

Falar em ajudar, ser brasileiro por aqui é uma mão na roda. Tudo fica mais fácil, o papo rola fácil e claro que o negócio é futebol. Em época de copa do mundo a coisa fica mais intensa, se fala sobre os jogos e resultados. Foram já diversas situações que a burocracia enorme foi quebrada na hora por um sorriso e por saber que se é brasileiro, tudo em um passe de mágica é resolvido.

Comida e bebida possuem preços razoáveis, a moeda tem praticamente o mesmo valor do real e assim fica mais fácil saber realmente como estão os gastos.

Com o Fafa e o Felipe nos visitando temos nos concentrado no surf, já visitamos diversas ilhas e os caras estão maravilhados com as ondas e por ficar em águas tão quentes. Os corais botaram um pouco de medo no começo, mas já estão se atirando em todas e não querem perder um dia se quer. Também tiveram a oportunidade de fazer snorkel pela primeira vez e com certeza deram a maior dentro, pois aqui é um dos melhores lugares que já vi, com direito a tubarão, tartaruga e arraias.

As ilhas são realmente o ponto alto de Fiji, enquanto elas já possuem todo seu encanto natural, por lá tudo é mais organizado e limpo. A maioria é ocupada por resortes e algumas por backpackers onde os mochileiros tem a sua vez e é onde rolam as festinhas com gente do mundo todo. As mais conhecidas são Tavarua (surf), Mana (backpackers), Malolo (musket cove com a melhor ancoragem) e também tem uma ilha no norte onde foi filmado o filme lagoa azul (aquele que passado todo ano na sessão da tarde).

Vários barcos já sairam para Vanuatu, nosso próximo destino, outros ficam mais tempo aqui como nós. Os guris vão embora daqui uns dias, mas logo o Geraldo chega para nos visitar também, assim com tudo que tem por aqui e com amigos indo e chegando não vai faltar coisa para fazer, até porque se faltar coisa pra fazer, fazer nada aqui é uma beleza.

Publicado por Cláudio Cavalli

24/6/2010 - 15:19

Uma LOWga Estória

Este post se trata da viagem entre Opua (NZ) e Latoka (Fiji).

Opua foi nosso ponto de partida no dia 13 de junho, um domingo. Antes disto, quase dois meses de reforma no Canela, muita chuva e um atraso enorme que nos fez ser quase um dos últimos barcos a partir da temporada na NZ.

Mas enfim tudo pronto, barco na água e aí começa a velha conversa sobre meteorologia. Nesta época, início de inverno, tudo fica um pouco mais complicado. As frentes frias vem de forma mais constante lá do sul da Tazmania fazendo com que várias saídas fossem adiadas e principalmente colocar muita tensão no pessoal.

Nossa saída ficou decidida, para o final de semana, iríamos acompanhar a meteorologia de perto para eventuais mudanças. Neste meio tempo, arruma barco, coloca tudo pra dentro e acerta os últimos detalhes. Dois dias antes de partir chega a notícia que se espalha muito rápido, uma "low" ou seja, uma frente descia do nordeste da Austrália. Ouvi com atenção mas sem conseguir definir nada na minha cabeça, quando fui checar realmente era uma frente grande, passando bem no nosso caminho.

O assunto continuou e todo aquele clima de tensão atucanando a cabeça, gente apavorando com o velho terrorismo e alguns simplesmente dizendo que iriam acompanhar a frente e ainda continuavam querendo sair no final de semana.

Bem, um dia antes de sair a frente continuava e indicava ventos de 45 nós (quase 90km/h) no seu centro. Isto era bem ruim e ela estava no caminho.

Conversamos com alguns e parte iniciou dizendo que iria seguir para leste, tentando fugir dela, outros quase na hora da saída disseram que mudou o panorama e valia a pena ir para oeste pois ela estava passando rápido. Tentando filtrar conversa fiada de coisa que valia a pena isso só se tornava mais complicado, pois de qualquer jeito sempre fica aquela pulga atrás da orelha.

Decidimos sair, Hugo do Beduína iria ficar nos informando o avanço da frente e nos mandando ir para onde fosse melhor. Saimos e com a gente veio o João do Zazoo, sua primeira travessia, uma mistura de ansioso e nervoso.

Nos despedimos de todos os amigos, loucos pra ir embora, mas dar adeus aos amigos sempre se torna difícil, especialmente amigos tão especiais como o Sombra, o Mr. Allan e Ms. Pauline.

Os ventos nos primeiros três dias como prometido vieram de sudoeste, 20 nós. As ondas também vinham na mesma direção, assim logo estavamos fazendo média de 6,4 nós em uma velejada muito boa apesar do balança das vagas que estavam em 2,5 metros.

Pior que isso o frio e o tempo pra se readaptar depois de 7 meses sem velejar praticamente, mas o avanço realmente deixava uma certa satisfação, principalmente sabendo que cada milha velejada mais quente seria e segundo promessas dos outros veleiros já em Fiji, na terceira noite já poderia ficar de bermuda.

Hugo nos informava diariamente sobre o tempo e no quarto dia nos disse que tínhamos sorte, a low havia se dissolvido um pouco e pegariamos ela com 30 nós apenas. O clima melhorou, pois dava pra sentir desde o começo a galera meio tensa e se sentindo mais desconfortável que o normal. O Joãozinho na sua primeira travessia acabou sentindo o mar, vomitava direto e nada parava no estômago e nessas horas só podia realmente é ficar deitado esperando melhorar.

Chegou o dia da tal porrada, um momento que não queria passar mas que no final das contas era melhor vir logo do que ficar naquela expectativa. Chegou, 30 nós realmente, mas de través (vindo pelo lado do barco) o que ajudava e bem melhor do que pegar de frente.

O vento aumenta, as ondas aumentam mas no final o cara vai se acostumando e o frio continuava castigando, mas ao menos a gente sabia que aquilo ia acabar logo.

Chegou a manhã, todos fazendo turnos de 2 horas cada, o que dava tempo suficiente pra descansar e repor as energias. Porém o dia começou nublado, o vento apertando e logo veio a bomba, a tal da low estacionou devido a uma high vindo do sul e segurando ela no norte, e o pior, ela iria passar por cima de nós, os tais 45 nós que eu temia estavam a caminho e justo agora que eu tinha achado que tudo tinha acabado.

A minha moral foi lá embaixo, aguentar porrada, frio, vento forte tudo bem, mas traição da meteorologia era demais, o que essa tal de high quer lá embaixo?

Passei o dia pensando como seriam as próximas horas. Hugo nos disse que o vento realmente seria forte, o mar ficaria ruim e que ela passaria bem rápido por nós. Algumas palavras chegavam a doer, mas ele sempre sabia colocar tudo de uma forma explicativa e com o intuito de nos orientar ao que fazer, isso melhorava bastante.

Bem, nos preparamos, baixamos as velas e só ficou a vela de tempestade, uma vela pequena e super resistente chamada de storm jib. O vento entrou, o mar subiu um pouco realmente. O barco mesmo sem vela adernava muito e quando as ondas se desencontravam e batiam no costado era uma porrada grande e parecia que ia virar, quando o barco saltava o caída seca erra de doer no cara também.

Enfim, desconforto e por incrível que pareça ainda frio, todo mundo molhado e tava um saco ficar abordo, que situação, mas o barco segurava bem e só torcia para que ele aguentasse.

A noite foi longa, ser chamado para o turno e dar uma olhada para fora dava uma tristeza e uma angústia incrível, só pensava, será que vai dar alguma merda justo na minha vez?

O mar pesado, escuro, tudo nublado, o clima era perfeito para um desastre, que merda. Ficava pensando em tanta coisa. Alguns barcos que sairam com a gente e depois da gente voltaram para Opua, por orientação do pessoal do rádio SSB, inclusive um chamado Azzar que estava do nosso lado e voltou. Lembrava do livro do Cecconi que estava por Tonga ou Fiji e comentou que vários barcos se ferraram vindo da NZ, fora a família Schurmann que desmastreou apesar que foi um problema na ferragem, mas tudo vai acumulando na cabeça.

Nunca havíamos passado por um mal tempo destes, tanto nós quanto para o barco era uma experiência nova, estavamos testando nossos limites. Olhava para os outros, para o Joãozinho, coitado, que fria ele entrou eu pensava, se juntou a nós e até agora só trampou e agora essa porrada, mas ele aguentava firme que com aquele surpreendente bom humor, me impressionava.

O meu último turno no meio da tal porrada foi um momento único da minha vida. A porrada pegava, ondas quebrando, barco adernado, frio e uma angústia, mas uma coisa era boa, já tinhamos a notícia que em 3 horas tudo iria acabar, o vento baixar e enfim acabar com o martírio.

Assim iniciei esse último turno, com a roupa de tempo que já usava direto sentei no cockpit. Em um minuto estava totalmente molhado e com frio. A noite escura só deixava um ar ainda mais assustador, só eu sei quanta coisa já tinha passado na minha cabeça e as noites mal dormidas desde o dia da partida, quer dizer, desde que fiquei sabendo desta tal de low.

Fiquei acompanhando o piloto automático que incrível que pareça estava funcionado bem desde que nosso leme de vento quebrou logo no começo da viagem. Ele falhou uma vez, o vento estava forçando ele demais e as ondas dava seu tapinha toda vez, resetei, consertei e liguei novamente, falhou em seguida, vamos lá de novo, falha. Enchi o saco, desliguei e fui pra roda de leme, ia encarar esse turno no braço e tomando o vento e a chuva na cara. Minha mente turbinava, sentia o medo mas a adrenalina me anestesiava e comecei a curtir o momento, de estar ali, naquela força da natureza sobre mim, me senti no centro dela e me confortava sabendo que o fim daquilo tudo estava no fim. A água no rosto, ora da chuva, ora das ondas, faziam uma mescla de gostos. Gritava pra mim mesmo, lava a alma, lava a alma, era um momento único realmente, boas vibrações vinham com toda aquela experiência.

Acabou meu turno, quando notei estava bem cansado tendo ficado pela primeira vez o tempo tudo na roda de leme. Fui para minha cama, já dava pra notar que o vento ia se entregar um pouco e realmente hora após hora tudo foi baixando e acalmando.

O outro dia começou realmente mais calmo e realmente tudo tinha acabado. O vento baixou, 30 nós, 25 nós e assim foi até a gente chegar em uma nova etapa da viagem.

Com menos vento, veio o sol, o calor, que coisa boa. A tranquilida proporcionava horas de prazer ao invés de ansiedade. O cockpit começou a ser habitado por todos e não somente pelo responsável do turno. Tomamos sol, colocamos as coisas para secar, organizar as coisas fora e dentro. Era impressionante que mesmo tomando alguns cuidados, quase tudo no barco caiu e ou estava pindurado ou estava no chão que era quase impossível caminhar.

Assim o clima melhorou, já começamos a pescar, a admirar as estrelas e ouvir música e a comer melhor. Era uma bola de neve, tudo melhorava e assim foi, entrou 15 nós de vento de través, finalmente a gente velejava com os alísios que nos levavam cada vez mais perto de Fiji, contagem regressiva começava e claro que a ansiedade vem junto, agora tudo temperado com o prazer de velejar.

Veio uma calmaria, quase dois dias e ligamos o motor, mas logo tivemos que dar um tempo pois pelas contas o diesel não seria suficiente, assim era economizar e torcer para o vento entrar logo. Entrou e ficamos felizes em continuar e saber que seria o suficiente para chegar.

Durante toda a viagem mantivemos contato com o João. O SSB dele não funcionava muito bem, mas incrivelmente ele conseguiu manter uma distância muito próxima da gente o que não é nada fácil mesmo em pequenas travessias. Desta forma foi possível saber que ele estava bem e também passar as previsões que vinham do Hugo. Nós  quatro revezando e ele sozinho, não é brincadeira e o cara se superou tudo no bom humor e na curtição só dele.

Os últimos momentos foi de tentar avistar terra e também íamos conversando com o Bob do Bixo Vermelho que nos deu várias dicas.

A comunicação foi um dos pontos positivos da viagem. Através do SSB com os outros barcos, mas foi com o Iridium que recebemos mensagem de apoio como a dos alunos dos maristas que rezavam por nós, do pessoal mandando palavras de apoio e claro as notícias sobre a copa do mundo que estava rolando com a gente no meio do mar, assim foi que ficamos sabendo os resultados e quase lance a lance dos jogos do Brasil em pleno oceano pacífico.

A viagem durou 9 dias, chegamos pela noite em Fiji vendo as luzes do porto de Suva. Teve Atum e dorado pescado, teve viola no cockpit e assim tudo de ruim fica para trás principalmente sabendo o que está nos esperando, com o Fafa e o Felipe chegando do Brasil e com a certeza que por aqui estaremos vivendo provalmente um dos melhores momentos de toda a viagem.

Bula!

Publicado por Cláudio Cavalli


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